Processo imigração Casal (1)

O processo de imigração da gente começou lá em 2016, mesmo ano em que o blog nasceu. Mas essa jornada teve início anos antes, quando o Vitor começou a tentar me convencer de que o Canadá era uma boa opção e que eu não “ia virar pinguim” aqui em Vancouver hahaha

Vencida a resistência inicial, resolvemos deixar nossa vida em Vitória (ES) – eu como professora de inglês e o Vitor como software developer – em busca de mais segurança e qualidade de vida. Hoje eu conto pra vocês tudo sobre o nosso processo de imigração, do planejamento até a gente botar nossos pezinhos no Canadá com o PR (residência permanente).

Depois de refletir bastante, a nossa opção foi o Federal Skilled Worker (FSW), que é um dos programas do Express Entry. E qual é a diferença de já chegar com o PR, em vez de como estudante ou com visto de trabalho?

A grande vantagem é que, como residentes permanentes, a gente já ia chegar ao país podendo trabalhar e com praticamente todos os direitos de um cidadão, como acesso à saúde pública e a preços mais camaradas em universidades. Além disso, depois de alguns anos com PR, já ia poder dar entrada na cidadania canadense.

Nosso perfil e o processo de imigração

Para vocês entenderem melhor o nosso processo, bora começar pelo nosso perfil e quais aspectos dele nos ajudaram mais em relação aos critérios do Express Entry.

A gente não tinha oferta de emprego no Canadá nem experiência de trabalho ou estudo aqui. Na verdade, a gente nunca tinha nem pisado no país! Sendo assim, as informações que contaram foram:


Giovanna (aplicante principal)
29 anos
Licenciatura de 4 anos em universidade no Brasil
Mestrado de 2 anos em universidade no Brasil
8 anos de experiência de trabalho fora do Canadá no NOC 4021 – College and other vocacional instructors
IELTS:
Listening: 9.0
Reading: 9.0
Writing: 7.0
Speaking: 8.5

Vitor (cônjuge)
Licenciatura de 4 anos em universidade no Brasil
Tecnólogo de 2 anos em universidade no Brasil
5 anos de experiência de trabalho fora do Canadá no NOC 2174 – Computer Programmers and Interactive Media Developers
IELTS:
Listening: 8.0
Reading: 7.5
Writing: 7.5
Speaking: 8.5

Quem cuidou do nosso processo de imigração?

A gente fez o nosso processo todinho no Brasil e por conta própria, sem agência de imigração. Usamos apenas as informações disponíveis no site oficial e em fóruns virtuais, como o CanadaVisa. Com isso, eu não quero dizer que um jeito é melhor do que o outro, só que não temos experiência com agência para poder comparar.

Vamos agora ao que interessa? Ah, e como a gente vai citar algumas siglas que são bem particulares ao processo de imigração, dá uma olhada nessa lista aqui e também no nosso post explicando o que são pool, draw e ITA.

Planejamento do nosso processo de imigração

Você é elegível?

Antes de tudo, a gente fez o teste de elegibilidade para descobrir se podia se candidatar a algum dos programas do Express Entry. Você confere mais informações sobre essa etapa aqui.

Embora esse teste vá pedir algumas informações que talvez você ainda não tenha, como resultado de teste de proficiência em inglês e/ou francês, você pode usar uma estimativa por enquanto, já que o objetivo agora é só ter uma ideia. Por isso, você pode fazer um simulado da prova desejada ou estabelecer uma meta realista e usar essas notas.

Quer saber seu nível real de inglês? Faça nosso teste gratuito disponível aqui. Ah, e você também pode conferir nossos posts sobre a comparação entre IELTS e CELPIP (para inglês) e entre TEF e TCF (para francês).

Proof of funds

Um fator muito importante é conferir o valor exigido pela Imigração para o chamado proof of funds. Esse não é um valor que você vai precisar pagar para ninguém, mas um montante mínimo que deve ter em conta para sustentar sua família no início. Os valores atualizados (em dólares canadenses) estão aqui, portanto use pelo menos esse montante na hora de preencher o teste de elegibilidade.

Lembre ainda que o número de integrantes da sua família corresponde a você, seu cônjuge e os filhos de vocês. Mas calma que você só vai precisar comprovar essa grana mais pra frente, quando enviar sua documentação. Então a sua tarefa por enquanto é “só” correr atrás de juntar dinheiro.

NOC do seu trabalho

Uma outra informação que já é legal descobrir é o NOC, ou National Occupation Classification, correspondente à sua experiência de trabalho. Para isso, dê uma olhada no nosso post sobre esse tema. De modo geral, para ser elegível ao Express Entry, seu trabalho deve ser um NOC do tipo 0, A ou B, mas você encontra mais detalhes nesse link.

Calcule sua pontuação

Depois disso, simulamos nossa pontuação na CRS Tool e, na época, ela foi de 480 pontos. Nesse post aqui, falamos sobre como essa calculadora funciona.

Tá, mas como eu descubro se a minha pontuação é suficiente? Para isso, você pode ver as notas de corte dos últimos draws da Imigração e conferir os posts em que a gente analisa cada um deles.

Quem vai ser o aplicante principal?

Andy Samberg
O aplicante principal é meio que o chefe do processo, entendeu?

Caso você pretenda imigrar com seu cônjuge, um conceito fundamental no seu processo de imigração vai ser o de aplicante principal. Essa pessoa vai ser o “cabeça” do processo, aquela que é responsável pelo maior peso na pontuação de vocês.

Não sabe ainda quem deve ser o aplicante principal? Sem problemas: você pode fazer tanto o teste de elegibilidade quanto simular a pontuação primeiro com um cônjuge como aplicante principal e depois com o outro. Aquele que for elegível e gerar a pontuação mais alta vai ser o aplicante principal.

No nosso caso, primeiro a gente achou que ia ter uma nota maior com o Vitor como aplicante principal pelo fato dele trabalhar na área de TI. Mas no fim das contas, descobriu que isso não fazia diferença e que era mais vantajoso que eu fosse a aplicante principal por causa do meu mestrado #GirlPower.

Preparação para criar o perfil do Express Entry

Sabendo que a gente era elegível e que eu seria a aplicante principal, sentimos confiança para começar a investir nos próximos passos. E quando a gente fala em investir, não é só força de expressão, não: foi aqui que entraram os primeiros gastos com o processo de imigração #kkcrying.

ECA

Primeiro a gente correu atrás da equivalência de diplomas, feita por um documento chamado Educational Credencial Assessment (ECA) específico para fins de imigração. Nesse momento, já começam as traduções juramentadas, que vão ser muuuitas ao longo do processo.

Como vários brasileiros já tinham tido experiências positivas com a WES, essa foi a empresa que a gente escolheu para fazer nosso ECA (contamos aqui como foi). No blog também tem um outro post sobre o ECA e a diferença entre equivalência e validação de diploma.

IELTS

Como nem eu nem o Vitor falamos francês e o IELTS é a única prova de inglês aceita pela Imigração que é aplicada no Brasil, agendamos nossos testes para ela (lembrando que para imigração tem que ser o IELTS General Training). E como eu ia ser a aplicante principal, o peso da minha nota seria mais alto na nossa pontuação #HajaEmoção.

Meu objetivo – alcançado, yay – era tirar o equivalente ao CLB 9 (ou seja, 8 no listening e 7 nas demais competências), já que isso daria um senhor boost na nossa pontuação do Express Entry. Para aprender a calcular seu CLB, clique aqui.

Quer se preparar para o seu teste de proficiência comigo? Conheça os nossos cursos ma-ra-vi-lho-sos aqui. Além disso, você pode conferir nossos textos com dicas sobre o IELTS e nossos posts sobre a prova no YouTube, Facebook e Instagram.

Criando o perfil do Express Entry

Já com nossos ECA e resultados de IELTS em mãos, partimos para criar nosso perfil no site do Express Entry. A partir daí, você já pode descer pro play, quer dizer, pro pool hahaha

Isso porque, com seu perfil ativo, você entra no pool de candidatos do Express Entry. Se a sua nota for igual ou superior à nota de corte de um dos draws para o seu programa, você já pode receber um ITA (Invitation to Apply) e ser convidado para imigrar \o/

À espera do ITA

The Office
A sensação de esperar o ITA é exatamente essa

Como o tempo entre receber o ITA e enviar a documentação é curto, a gente aproveitou para adiantar vários documentos enquanto esperava, como traduções juramentadas e cartas dos empregadores antigos. Também começamos a escanear e organizar os documentos em PDF, pois essa é uma tarefa chatinha e demorada. E como aqui a gente não faz trabalho pela metade, você confere aqui uma lista do que pode já começar a fazer nessa fase.

Recebimento do ITA

Exatamente 2 meses depois de criar nosso perfil, recebemos o convite para imigrar! Foi um dia super especial pra gente, no meio dessa montanha-russa de emoções que é o processo de imigração ❤️

Umas horinhas depois que o draw foi divulgado, recebemos uma notificação por email avisando que tinha mensagem no nosso perfil. E aí tinha um PDF bem lindão com o nosso ITA.

Preparação dos documentos pós-ITA

Agora é a hora da verdade, quando você precisa comprovar as informações que deu ao criar o perfil. Na época em que a gente fez nosso processo de imigração, o prazo para enviar a documentação era de apenas 60 dias. Embora hoje esse tempo já tenha subido para 90 dias, mesmo assim é apertado, né? Em 2016, também não havia a exigência de biometria, o que agora é um passo extra para os candidatos.

Depois de receber o ITA, o perfil da gente mudou no site da Imigração e aí a gente já pôde começar a inserir as informações pedidas e os documentos escaneados. Foi a hora de emitir e mandar traduzir os police certificates do Brasil, fazer os exames médicos e conseguir a carta do banco para o proof of funds, que é aquela comprovação da grana em conta seguindo as exigências da Imigração.

A gente também pediu as cartas dos nossos empregadores da época. No entanto, só depois descobrimos que bastava enviar as minhas, já que só a experiência de trabalho do aplicante principal conta pontos no processo #VivendoeAprendendo.

Como a gente já estava com tudo bem adiantado, conseguiu terminar de montar nosso processo em menos de um mês. Aí foi a vez de enviar a documentação pela internet e pagar as taxas oficiais #ChoraCartão.

Esperando a análise do processo de imigração

Logo depois de mandar os documentos, recebemos o AoR (Acknoledgment of Receipt), isto é, a confirmação de que nosso processo tinha sido recebido #ufa. Dois dias depois, vimos no nosso perfil que tinha chegado o Medicals Passed, o que confirmava que nossos exames médicos estavam aprovados.

Pedido de documentos adicionais

Uma semana depois, veio o susto: a Imigração pediu documentos adicionais. E não era só um pedido, não, eram DOIS. O primeiro PDF pedia detalhes de um período de trabalho do Vitor, enquanto o outro pedia as nossas informações de viagem. Então lá foi a gente mandar o que faltava e uma LoE (Letter of Explanation) com mais detalhes.

Aliás, aproveitamos para compartilhar num vídeo os principais erros do nosso processo, que é pra você não repetir #AquiTemCaféNoBule.

Uns 2 meses depois, resolvemos pedir GCMS Notes para saber em que pé estava o nosso processo. Mas antes mesmo das nossas notes chegarem, veio a melhor notícia do mundo: o email com o PPR (passport request), avisando que a nossa residência permanente tinha sido aprovada! Demos a sorte do nosso processo ter sido super rápido: foram pouco mais de 3 meses entre mandar a documentação e receber o PPR.

Depois do PPR

DJ cat
Representação fiel do meu estado de espírito com o PPR

Aí foi só festa, né? Não dá pra descrever a emoção que dá nesse momento, depois de tanta ansiedade. Mas ainda tinha um passinho final, só pra dar mais emoção: enviar os nossos passaportes.

Como na época a gente ainda não tinha certeza se podia mandar os passaportes direto pro consulado em São Paulo, usamos o serviço de um VAC (Visa Application Centre). Junto com os passaportes, também mandamos o PPR impresso, fotos de cada um nas especificações pedidas e uma cartinha com dados de contato, além da nossa altura e cor dos olhos.

Recebemos nossos passaportes de volta 21 dias depois. Neles, vieram os vistos, com entrada única, e a data de validade deles. Essa é a data máxima para fazer o chamado landing, que é quando a gente chega ao Canadá para “validar” nosso status de PR, e geralmente corresponde a um ano após os exames médicos.

Junto com o passaporte, chegou também um documento chamado CoPR (Confirmation of Permanent Residence). Nele, vem várias informações pessoais e do seu processo, além da sua foto, para apresentar ao oficial da imigração noi landing.

Com aquela sensação gostosa de conquista no peito, marcamos nossa viagem pra uns 3 meses depois, no finzinho de junho. Fizemos isso pra dar tempo de vender as coisas no Brasil, pra gente poder chegar no verão e também para pegar uma época melhor para encontrar apartamento.

Contagem regressiva

The Daily Show
A ansiedade chega grita

Com data marcada de ir para o Canadá, começamos a desapegar das coisas que a gente tinha no Brasil e a decidir o que ia com a gente na viagem. Também fizemos um bazar no estilo open house para vender o máximo possível de itens.

Decidimos como íamos levar nosso dinheiro para o Canadá e escolhemos mandar a maior parte via Transferwise (atual Wise). Como a gente preferiu procurar apartamento depois que já estivesse em Vancouver, também reservamos um AirBnb pras primeiras semanas.

Um outro ponto importante foi que a gente assinou um seguro-saúde para os primeiros 3 meses no país. Isso porque recém-chegados à província de British Columbia só têm direito ao sistema público de saúde depois desse período. E é sempre melhor prevenir do que remediar, né?

Finalmente, rolou aquela saga da arrumação das malas. E dá-lhe desapego de novo, num processo que levou fácil fácil um mês. Juro!

Fim do processo de imigração e welcome to Canada!

E foi assim que, com muito frio na barriga, chegou a hora tão esperada da nossa partida. Quem diria que a gente já estaria no Canadá pouco mais de um ano depois dos primeiros preparativos? Para saber como funciona o landing, confira aqui o nosso relato.

Schitt's Creek
Quer dizer que você é o próximo na fila do PR?

E aí, curtiu conhecer nossa jornada até o PR? Para conferir a timeline completa do nosso processo de imigração, clique aqui. E se você quer compartilhar sua história ou sua dúvida, não esqueça de deixar seu comentário aí embaixo.


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