Finalmente em 2018 vai sair o post mais esperado de 2017! Vamos finalmente relatar como foi que o Han conseguiu o primeiro emprego no Canadá na área de TI! Estão curiosos? MUITO né não?

WARNING: Essa história do Han NÃO é nem de perto o padrão/normal/comum de quem chega no Canadá (mesmo com PR)! NEM NA ÁREA DE TI! Já ouvimos muitas histórias, e sim, a área de TI é mais rápida nas contratações, mas nem tanto. Dado o alerta, vamos a história!

Mandando currículos

Bem, como a gente já explicou lindinho no post sobre como fazer currículos no estilo canadense, vocês já sabem que dá um certo trabalhinho. Tem o currículo e a cover letter para cada emprego que você manda.

Mais ou menos no início de Junho/2017, com menos de 30 dias para partimos para Vancouver, o Han decidiu que estava na hora de mandar alguns currículos.

Passamos algumas horas de uma noite olhando sites como Indeed.ca, Monster.ca e alguns sites específicos de empresas de tecnologia que sabíamos que possuíam escritórios em Vancouver. Nessa noite o Han mandou 3 currículos para 3 empresas distintas.

Mandando ver no envio de currículos!

Fomos encontrar com alguns dos nossos amigos depois disso e não nos preocupamos, afinal, iria demorar para alguém nos responder. Uma das vagas já falava no anúncio que a pessoa precisava ser Canadense ou Residente Permanente. Logo, para essa vaga o Han botou bem em cima do currículo o “legal status” dele de PR.



Que eu me lembre não demorou nem 3 dias para o Han obter uma resposta de interesse exatamente dessa vaga. Das outras duas empresas nem resposta ele teve tá?

Nós logicamente ficamos muito felizes mesmo! Não tínhamos ideia se daria certo, mas já era um bom sinal que só com 3 currículos ele obteve resposta de uma empresa.

Etapas para contratação

Após o envio do currículo e a demonstração de interesse por email do recrutador, pelo que contamos aqui, foram 4 etapas para a contratação. A primeira foi o contato por telefone do recrutador; a segunda,  testes técnicos online; a terceira, uma entrevista com a equipe técnica e o quarto, a entrevista final.

Vamos falar um pouquinho de cada etapa, mas como eu estou relatando as etapas de contratação do Han, me perdoem pela falta de detalhes técnicos, viu?

Telefonema do recrutador

Logo depois do email de retorno do currículo, o recrutador respondeu que desejava marcar um telefonema com o Han. Eles marcaram por Skype e conversaram. Acho que a conversa durou uns 15 a 20 minutos no máximo.

Nesta primeira ligação ele se apresentou, falou um pouco da empresa e perguntou se o Han estava disposto a realizar um teste online que a empresa normalmente aplica para os candidatos. Logicamente que o Han disse que não teria o menor problema em fazer os testes.

Então, meio que encerrou a conversa e o Han recebeu um pouco depois o link para os testes.

Testes técnicos online

Aparentemente, descobrimos depois já aqui no Canadá, que muitas pessoas se recusam a realizar testes online. Isso dificulta muito a tarefa de contratação. Nós queremos deixar aqui o conselho em sempre topar os testes! É ótimo até para você mesmo verificar o nível que você está – tecnicamente falando.

O Han quando trabalhou para a Aurea Software através da Crossover havia feito testes dificílimos que exigem que você realmente produza um produto que esteja funcionando em pouco tempo (normalmente até 3 dias no máximo). A Crossover, pra quem não conhece, é uma empresa de recrutamento e RH americana que se orgulha em dizer que seus clientes são empresas Fortune 500 e seus contractors são os top 1% desenvolvedores do mundo justamente dado o rigorosíssimo processo de seleção. Não é pra qualquer um mesmo!

Quando fazia os testes, esse era o sonho! 3 mãos! Hahaha

Quando ele fez essas provas da Crossover, ele ficava o final de semana inteiro somente dedicado a isso. Demorava muito e cansava BASTANTE. Mas essa foi a experiência que alavancou a carreira do Han e trouxe aprendizado DEMAIS para ele!

Por isso, quando o amigo canadense falou em teste, bateu até aquela preguicinha no Han. Mas ele falou, vamos lá! Quando ele começou os testes ele só faltou rir dele mesmo! Eram testes muito mais simples que o nível de produção exigida pela Crossover.

Fazendo os testes online

Basicamente ele fez 4 testes de múltipla escolha nas áreas de lógica, SQL, C# e ASP.NET. Pelo que lembramos o teste de lógica foi o que mais demorou para ele fazer. Era um teste bem diferente do que ele estava acostumado. Envolvia coisas como “girar setas numa determinada ordem e achar o resultado final correto” e várias lógicas malucas de trocar letras/símbolos de lugar dado um determinado padrão.

Os testes de SQL, C# e ASP.NET foram bem parecidos com as provas de certificação dessas mesmas tecnologias.
O mais complicado desses testes era que você tem somente 2 minutos para responder cada questão ou ela é marcada como erro. Não dá tempo de pensar direito, e as respostas tem que estar bem na ponta da língua.

Depois de umas 5 horas ele já tinha terminado os testes todos. No final, ele me disse que o teste não era difícil (especialmente comparado com os testes da Crossover), mas que era um bom teste para definir o nível daquele desenvolvedor que estava se candidatando.

Importante lembrar que essa empresa especificamente faz esse tipo de teste online antes do famoso screening com o teste no quadro branco, mas muitas empresas não fazem. Uma ótima dica pra quem está se preparando para entrevistas é o livro Cracking The Coding Interview (paga nóis Amazon!).

Entrevista com a equipe técnica

Depois desses testes online o Han recebeu uma resposta por email do recrutador, querendo marcar outro telefonema. Ficamos felizes e ele marcou esse telefonema. Tudo isso aconteceu na semana do dia que vínhamos para o Canadá.

Nesse momento ele queria saber um pouco do histórico de trabalho do Han. Mais sobre tecnologias e linguagens e o que o Han estava fazendo naquele momento. Ele mencionou que o Han tinha ido super bem no teste online e que a empresa queria marcar para conversar com ele o quanto antes possível. Isso foi na segunda feira dia 19/06/17. Nós tivemos uma conversa antes sobre datas e coisas a fazer assim que chegássemos, e por fim a entrevista ficou marcada para quinta feira dia 29/06/17.

Nós chegamos no Canadá na segunda feira 26/06/17 na hora do almoço e a entrevista do Han já era na quinta daquela semana mesmo!

No dia da entrevista eu fui com ele até o local e fiquei esperando. Eu não queria ficar no Airbnb super nervosa esperando a resposta e aproveitei para passear um pouco.

Nós não sabíamos quão confiável era o google maps na previsão do tempo que levaria para chegar lá (fica a dica: é MUITO certinha a previsão aqui em Vancouver), e acabamos chegando uma hora antes. O Han muito esperto achou melhor subir e falar que estava adiantado mas esperaria.

Como estamos em Vancouver, tudo funcionando na hora e nada de derrapagens!

Eu achei que a entrevista ia começar só uma hora depois, mas mal sabia eu que logo que ele subiu, eles se comunicaram lá e pouco tempo depois começou a entrevista.

Essa entrevista demorou para CACETA. Eu acho que foi na boa entre 1h30 e 2h de conversa. Nessa entrevista estavam duas pessoas: o gerente e um desenvolvedor senior da empresa. O Han disse que eles tinham umas 5 páginas de perguntas técnicas e depois de todas as perguntas teve o tal do teste do quadro branco.

Teste do quadro branco? Que que é isso?

Para quem não sabe, é BEM padrão aqui fazer o teste do quadro branco. Esse teste basicamente consiste em você resolver um problema/prova de algoritmo no quadro branco sem ser no computador.

Você literalmente escreve a mão o que você colocaria em código para resolver a situação X que for apresentada para você.

Não adianta ter medinho não, vai ter que resolver árvore binária no quadro branco sim! rsrsrs

Quando saímos do prédio após a entrevista o Han estava bem confiante. Eu queria ir no Walmart e era ali “perto” então decidimos ir andando. Antes mesmo de chegarmos no Walmart o pessoal da empresa ligou pro Han (no nosso agora número de telefone canadense) e falaram que queriam marcar uma segunda entrevista! Foi comemoração no meio da rua mesmo!

Nós na rua comemorando! \o/ UHULLL!

Entrevista final

A entrevista final foi mais uma formalidade que tudo na opinião do Han. Pelo que ele percebeu, eles já possuíam o OK da equipe técnica dizendo que o Han seria um bom candidato para a vaga.

Porém o product development head, que é o líder de todo o time de desenvolvimento precisa dar o aval dele também. Por isso nessa última etapa o Han foi entrevistado somente por essa pessoa.

Ele perguntou algumas coisas sobre as experiências anteriores do Han e outras coisas para ver se o perfil dele se encaixaria com o da equipe. O Han saiu bem confiante dessa última entrevista e com razão! Em menos de 30 minutos ele já tinha recebido a resposta positiva que a vaga era dele.

Um tempo depois ele recebeu o RH os detalhes sobre a “offer”, que é o que eles estão oferecendo na vaga, valor de ganho, benefícios e horas a trabalhar. E aí foi só combinar uma data de começo. O Han começou mais ou menos uma semana depois da última entrevista.

Sorte ou competência? Ou é só por que é TI mesmo?

Como nós já alertamos no início desse texto, a gente sabe que essa história do Han não é padrão, NEM na indústria de TI. Muita gente acha que só por que é TI vai ser facim facim de conseguir um emprego, mas não é bem assim não.

Tem bastante vaga? Sim. Porém, nós vemos que além de precisarem de pessoas bem qualificadas que sabem realmente lidar com as linguagens e tecnologias, o mercado também carece de profissionais que falam bem inglês.

JURO para vocês que não é para puxar sardinha pro meu lado. Você consegue um emprego em TI mesmo sem falar inglês bem, muito mais fácil que em qualquer outra área, mas mesmo assim se você tem um inglês superior a sua vida vai ser bem mais fácil!

I hope you understand! It makes it easier… a whole lot easier!

Outra coisa é que vemos que muita gente vem com habilidades técnicas que no Brasil podiam ser suficientes, mas no exterior não são! Por ter trabalhado com a Crossover, que trabalha com equipes internacionais e tem níveis altíssimos de exigência e qualidade, o Han aprendeu com eles qual era o padrão na indústria para empresas Fortune 500.

O padrão é bem mais alto no exterior e um dos fatores que o Han disse ter influenciado MUITO a contratação dele foi que tudo que a empresa queria começar a ter, o Han já tinha experiência de trabalhar com aquilo.

Então, eu digo que no caso do Han foi sorte somada a competência que ele adquiriu trabalhando para empresas internacionais nos anos anteriores.

Nós aconselhamos todo mundo que é de TI e está pensando em vir para o Canadá a se testar. Procure estudar com sites como o Hackerrank.com . Não venha achando que TI no Canadá é igual TI no Brasil, por que não é!

E vocês? Já tiveram algum experiência com contratações no Canadá? Deixa um comentário compartilhando sua experiência e suas dicas aí embaixo.

E nos vemos aqui no CANADÁ!