Saúde mental

Por mais que muitos deixem a saúde mental de lado, esse é um assunto superimportante na vinda para o Canadá. Aproveitando que este mês tem Setembro Amarelo, vamos falar um pouco sobre como manter seu bem-estar. Seja antes, durante ou depois da mudança.

Imigrar não é pros fracos

Miss Piggy
Se adaptar a um país novo é difícil, mas possível

Mudar para outro país não é fácil. É um processo em que você precisa deixar tudo o que conhece para trás: amigos, família, cultura. Muitas vezes, isso envolve também abandonar conforto financeiro e estabilidade profissional – pelo menos por um tempo.

Para quem vai acompanhado, o cuidado com a saúde mental deve ser redobrado. Afinal, não só são duas pessoas passando por tudo isso, mas também porque esse furacão pode afetar o relacionamento. Além disso, a mudança para um país com clima completamente diferente tem, sim, um impacto significativo sobre a gente.

Essa frase de que “imigrar não é para os fracos” foi uma provocação. Afinal, se tem uma coisa que imigrante não é é fraco. Só a decisão de se lançar nessa aventura já é uma demonstração incrível de coragem e força.

O que a gente quer aqui é chamar a atenção para os desafios que podem aparecer no caminho. Assim, você pode começar a se preparar desde já e saber como agir se eles de fato surgirem. E como fazer isso?

Cuidando da cabeça durante o planejamento

Homer Simpson
Imagens reais de como eu estava à beira de vir pro Canadá

A preparação é uma fase cheia de stress e ansiedade. Entre expectativas e providências práticas para a viagem, não é difícil relegar nossa saúde mental a segundo plano.


Se você já faz acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra, converse com o profissional sobre como seguir seu tratamento. Caso faça uso de medicamentos, será que esse é o melhor momento para o “desmame”?

Se você ainda não faz acompanhamento, que tal fazer algumas sessões de terapia (individual ou de casal)? Esse pode ser um bom momento para refletir sobre seus planos e as melhores estratégias para lidar com o que está por vir.

Uma observação importante sobre medicamentos é que pode ser interessante trazer um pequeno estoque dos seus remédios de uso regular. Isso porque muita gente demora alguns meses até encontrar médico de família no Canadá. Sem consulta médica, você não consegue comprar medicamentos que exigem prescrição. Ou seja, melhor garantir que sua farmacinha vai estar pronta para não correr o risco de se ver sem remédio.

Aproveite esse período também para reforçar sua rede de apoio. Sabe aqueles amigos e familiares que nos fazem bem e estão lá pro que der e vier? Mantenha essas pessoas por perto, mesmo depois da mudança.

Converse também com pessoas que já estão no Canadá. Isso é bacana para começar a formar um círculo de amizades. Além disso, você conhece as experiências pelas quais outros imigrantes já passaram e pode ajustar suas expectativas.

Recursos de saúde mental disponíveis no Canadá

Mental health matters
Saúde mental importa, e muito!

Como a gente contou aqui, seu médico de família vai ser seu “posto Ipiranga” no país. Caso sinta que precisa de acompanhamento, converse com o profissional responsável por você. Muitas vezes, ele mesmo pode sugerir o melhor caminho a seguir ou indicar você para um especialista. Também há centros comunitários e organizações como a CMHA, que oferecem serviços de apoio.

Embora atendimento psiquiátrico seja coberto pela saúde pública do Canadá, psicólogos geralmente são por fora. Para agendar sessões com psicólogos, portanto, estas devem ser particulares, podendo também ser cobertas por planos de saúde suplementar. Se falar sobre as suas experiências em outro idioma for difícil, busque profissionais brasileiros que atendam pela internet.

Alguns centros de apoio a imigrantes também oferecem grupos de apoio e atividades para ajudar na sua adaptação. Você pode ainda entrar em contato anonimamente e de forma gratuita com o Crisis Services Canada (CSC).

E essa tal de depressão sazonal, existe mesmo?

Sad potato
Mais do que nunca, é preciso estar atento durante os meses mais frios

No Canadá, é muito comum se falar sobre
Seasonal Affective Disorder (SAD), também chamada de seasonal depression. Esse é um tipo de depressão que se manifesta com frequência entre o outono e o inverno. Ela está relacionada ao baixo nível de exposição ao sol nesse período.

Aqui em Ottawa, por exemplo, nessa época o sol nasce umas 7h e se põe por volta das 16h. No auge do inverno, algumas cidades mais ao norte do país chegam a ficar quase 20 horas no escuro. #creindeuspai

Estudos indicam que isso pode afetar nosso relógio biológico. Além disso, o fenômeno prejudica a regulagem de neurotransmissores, como serotonina e dopamina.

Alguns dos sintomas mais comuns são:

  • Tristeza e desânimo por períodos prolongados
  • Alterações de humor
  • Mudanças de peso e apetite
  • Insônia ou sono em excesso
  • Pensamentos suicidas
  • Dificuldade de concentração

Para ajudar a combater a depressão sazonal, mantenha uma rotina ativa, com exercícios físicos, boa alimentação e atividades sociais. Também busque passar alguns minutinhos ao ar livre – na medida do possível, é claro. Além disso, algumas pessoas podem se beneficiar do uso de medicamentos, psicoterapia e exposição à luz artifical (light therapy box).

Para compensar a exposição reduzida ao sol nesses meses, muitos canadenses fazem suplementação de vitamina D. Apesar de os estudos serem controversos, alguns resultados indicam que a substância pode amenizar os sintomas da SAD.

Cinco dicas para cuidar da sua saúde mental no Canadá

1. Mantenha uma rede de apoio

Não dá para enfatizar o bastante a importância de estar em contato com gente querida. Seja para comemorar as vitórias ou para pedir colo, dependendo do dia. Isso vale tanto para quem ficou no Brasil quanto para novos relacionamentos que você for criando no Canadá.

2. Inclua o lazer na agenda

A gente sabe que orçamento de imigrante é apertado e a vida é corrida no começo. Mas não caia na armadilha de abandonar seus momentos de prazer.

Tire um tempinho toda semana para provar algo diferente, ver um filme, passear. Se puder, separe um dinheiro todo mês para fazer um programa novo. Quem sabe até um bate-e-volta para uma cidade vizinha? Considere um investimento no seu bem-estar.

3. Bateu saudade de casa? Planeje encontros

Se o coração apertar, comece a acompanhar os preços de passagens para visitar o Brasil de tempos em tempos. Fique de olho também em programas de milhagem, que podem te ajudar a dar uma boa economizada.

Se sua família e seus amigos forem animados para viajar, que tal planejar uma visita deles ao Canadá? Uma outra ideia é combinar de todo mundo se encontrar em uma viagem a outro lugar.

4. Seja gentil consigo mesmo

Muitas vezes, a gente acaba criando cobranças nada razóaveis para nós mesmos. Quando decidimos mudar para outro país, é porque estamos em busca de uma vida melhor. O porém é que nem sempre a gente atinge o patamar desejado no prazo esperado.

Ter o emprego dos sonhos, uma vida financeira tranquila ou atingir a fluência no inglês levam tempo. Não só para você, mas para a maioria dos imigrantes. Por isso, tenha paciência e se trate com o mesmo carinho com que lidaria com um amigo na mesma situação.

5. Conhece-te a ti mesmo

Ninguém melhor do que a gente para saber quando algo está errado conosco, certo? Nem sempre. Às vezes, a adaptação é um turbilhão tão grande que a gente sente que levou um caldo na praia, sabe?

É tanta coisa acontecendo que é fácil deixar nossa saúde mental de lado. Por isso, preste atenção aos sinais que o seu corpo e sua cabeça estão dando a você.

Pedir ajuda é normal

Andy Samberg
Juntos somos mais fortes

Imigrar é uma montanha-russa que envolve um monte de sentimentos, algumas vezes conflitantes. Você pode se sentir triste ou ter ansiedade mesmo estando feliz com sua decisão de vir para o Canadá. Isso não deve ser motivo de culpa.

Se você sente que está difícil lidar com todo esse processo por conta própria, não tem absolutamente nada errado em pedir ajuda. Seja com um ombro amigo, o colo do mozão ou acompanhamento profissional, você não precisa passar por isso sozinho. Afinal, o peso fica muito menor quando a gente divide ele com alguém.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui